29 de fevereiro de 2008

DOCUMENTÁRIO - URBANO - WORK IN PROGRESS

Hoje percebi, subitamente, que faço documentários como escrevo livros: mergulho impiedoso no coração das personagens, procuro a imagem que revela o que não se diz, junto duas fotografias aparentemente díspares, para criar significados que não pretendem ser mais do que formas de trazer à luz o invisível que alguém traz dentro. O melhor que posso, com o pouco que tenho.
Hoje, durante a montagem, fiquei mesmo contente de não ter dado ouvidos a quem me aconselha a não me meter nas coutadas privadas, neste caso, o cinema. Como se ir até ao fim de um trabalho criativo com a maior honestidade não tivesse qualquer valor.

3 comentários:

Anónimo disse...

Cachapa, como traduzir para o brasileiro "coutadadas"? Abr. (carlso)

P. C. disse...

Bom...
eu traduziria por "erro", "burrice minha" ou até, "cansaço de escritor que preocupado em botar o pão na mesa, acrescenta letras a "coutada"! :)
Mas levando para o sério, a palavra refere-se a "território de caça", no brasil seria qualquer coisa como "fazenda de desmesurado tamanho, onde o fazendeiro enche de chumbo quem questiona o direito de derrubar floresta tropical" :)
Abraço, saudoso.

Anónimo disse...

Pois muito que bem, caro Cachapa. Coutada está devidamente dicionarizada, terra onde a caça é proibida, terra reservada a pasto, e pode ser também "cerrado", no qual se plantou Brasília, lugares por onde você passou e conheceu bem. Estamos vivos, ainda, por aqui, apesar de tudo. Abr. (carlos)